Parque Iguaçu‎ > ‎

Estudos Bíblicos

São estudos bíblicos desenvolvidos na Igreja Presbiteriana do Brasil Parque Iguaçu, no bairro Alto Boqueirão, pelo Reverendo Maurício Frizzas Pinto, todas as quarta-feiras, às 20 horas. Venha participar!

Salmo 114 - As maravilhas do êxodo

postado em 16 de jun de 2012 10:23 por IPB Parque Iguaçu   [ 16 de jun de 2012 10:28 atualizado‎(s)‎ ]

SALMO 114

As maravilhas do êxodo

1 Quando saiu Israel do Egito, e a casa de Jacó, do meio de um povo de língua estranha,

2 Judá se tornou o seu santuário, e Israel, o seu domínio.

3 O mar viu isso e fugiu; o Jordão tornou atrás.

4 Os montes saltaram como carneiros, e as colinas, como cordeiros do rebanho.

5 Que tens, ó mar, que assim foges? E tu, Jordão, para tornares atrás?

6 Montes, por que saltais como carneiros? E vós, colinas, como cordeiros do rebanho?

7 Estremece, ó terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacó,

8 o qual converteu a rocha em lençol de água e o seixo, em manancial.

 

Sociedade Bíblica do Brasil. (1999; 2005). Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada. Sociedade Bíblica do Brasil.

Introdução: Este texto Bíblico nos aponta para a realidade da caminhada de fé de um povo, para a comunhão e conhecimento de Deus, acima de tudo para o propósito de Deus na vida destas pessoas. Aponta-se que o intento de Deus é tornar este povo um “santuário da sua presença”, ou seja, seu desejo é habitar entre o povo, esta deve ser a chave hermenêutica (Chave de Interpretação) deste estudo: “Judá se tornou o seu santuário” v.2.

(vv. 1-2) Geração e primeiros passos de uma nação – Formação e Êxodo: A descrição deste salmo entende que “Israel” se torna o Povo de Deus a partir do exato momento em que este povo recebe a salvação.  Deus retira seu povo do meio de um povo estranho, é um ato de graça, de amor imerecido. O Egito os escravizava, praticavam seus ritos pagãos e não reconheciam o Deus que tabernacula, isto é, habita com seu povo. Ao negar a dignidade dos descendentes de Jacó, Deus era também ofendido. Então o Senhor ouve o clamor dos seus e se põe na caminhada com os seus escolhidos em Jacó, para salvá-los e para servirem de salvação para todas as famílias da terra, para todos que assimilarem e abraçarem a fé em Deus.

(vv. 3-6) Demonstrações do Poder de Deus – Milagres do Êxodo: Rememora-se aqui a passagem do povo de Israel através do mar a pés secos, um feito divino sem precedentes e que marcaria profundamente a concepção de Deus como o Senhor que rege a natureza e que a domina pela sua força. A animação da natureza, assimilando propriedades que não lhe pertencem; O mar que caminha como uma pessoa – com suas próprias pernas, ou como montes e colinas pulando como cordeiros de um rebanho, expressam com toda a força poética o poder de Deus que ninguém é capaz de deter, nem mesmo o mar, nem mesmo as montanhas. Deus pode transformar todas as coisas, modificando sua natureza mais intima o que fez com seu povo. Libertando-o de terrível opressão e modificando completamente sua própria natureza, passaram da condição de escravos de faraó a santuário do Deus Altíssimo. 

(vv. 7-8) A resolução do Salmista – Conseqüência do Êxodo: Se outrora a força e o poder de Deus eram anunciados através de figuras poéticas, aqui o significado da mensagem é desvelado: “Toda a terra deve estremecer na presença do Senhor” (v.7). A personalidade de um Deus tão poderoso, que opera através de sinais portentosos poderia facilmente instilar medo, pavor. Mas ao contrário Ele é concebido como o Deus que converte as duras rochas em águas deliciosas “manancial de águas” – vale lembrar que estamos inseridos em um ambiente semidesértico neste salmo. É o Deus que multiplica alegrias e bênçãos, alargando um filete de águas tornando-o fonte de águas. Água é um dos maiores símbolos bíblicos da vida. Deus é a fonte da vida, esta é a maior conseqüência do Êxodo. A vida.     

 

Conclusão: Nós também nos tornamos povo de Deus – filhos e filhas de Deus, a partir do exato momento em que recebemos a Salvação de Deus. O Apóstolo Paulo nos doutrina com esta realidade da intenção de Deus em caminhar conosco, habitar em nosso meio e acima de tudo, habitar em nossas vidas. Fazer morada em nós é uma condição de Deus para com seu povo: “Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” 2 Co 6:16b. Na conclusão do pensamento o salmista por simbolismo associa Deus a um manancial de águas. Algo também trabalhado no diálogo de Jesus com uma mulher – “A Samaritana”, Junto a uma fonte – Por coincidência ou não num lugar chamado “Poço de Jacó”, em perfeita sincronia com este salmo.  Desta feita, Jesus no clímax de seu discurso se associa com a própria água e diz: “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” Jo 4.14.

REFERÊNCIAS:

SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. (1999; 2005). Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada. (ARA)

CALVINO, JOÃO. SALMOS. Volume 4. São Paulo: Fiel, 2009.

WEISER, ARTUR. OS SALMOS. Grande Comentário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1994.

SCHÖKEL - CARNITI. SALMOS II (Salmos 73-150). Grande Comentário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1998.

Reverendo Maurício Frizzas Pinto

Salmo 109 - Imprecações contra os inimigos

postado em 13 de mai de 2012 15:38 por IPB Parque Iguaçu   [ 13 de mai de 2012 15:40 atualizado‎(s)‎ ]

SALMO 109
Imprecações contra os inimigos
Ao mestre de canto. Salmo de Davi
1 Ó Deus do meu louvor, não te cales! 2 Pois contra mim se desataram lábios maldosos e fraudulentos; com mentirosa língua falam contra mim. 3 Cercam-me com palavras odiosas e sem causa me fazem guerra. 4 Em paga do meu amor, me hostilizam; eu, porém, oro. 5 Pagaram-me o bem com o mal; o amor, com ódio. 6 Suscita contra ele um ímpio, e à sua direita esteja um acusador. 7 Quando o julgarem, seja condenado; e, tida como pecado, a sua oração. 8 Os seus dias sejam poucos, e tome outro o seu encargo. 9 Fiquem órfãos os seus filhos, e viúva, a sua esposa. 10 Andem errantes os seus filhos e mendiguem; e sejam expulsos das ruínas de suas casas. 11 De tudo o que tem, lance mão o usurário; do fruto do seu trabalho, esbulhem-no os estranhos. 12 Ninguém tenha misericórdia dele, nem haja quem se compadeça dos seus órfãos. 13 Desapareça a sua posteridade, e na seguinte geração se extinga o seu nome. 14 Na lembrança do Senhor, viva a iniqüidade de seus pais, e não se apague o pecado de sua mãe. 15 Permaneçam ante os olhos do Senhor, para que faça desaparecer da terra a memória deles. 16 Porquanto não se lembrou de usar de misericórdia,  mas perseguiu o aflito e o necessitado, como também o quebrantado de coração,  para os entregar à morte. 17 Amou a maldição; ela o apanhe; não quis a bênção; aparte-se dele. 18 Vestiu-se de maldição como de uma túnica: penetre, como água, no seu interior e nos seus ossos, como azeite. 19 Seja-lhe como a roupa que o cobre e como o cinto com que sempre se cinge. 20 Tal seja, da parte do Senhor, o galardão dos meus contrários e dos que falam mal contra a minha alma. 21 Mas tu, Senhor Deus, age por mim, por amor do teu nome; livra-me, porque é grande a tua misericórdia. 22 Porque estou aflito e necessitado e, dentro de mim, sinto ferido o coração. 23 Vou passando, como a sombra que declina; sou atirado para longe, como um gafanhoto. 24 De tanto jejuar, os joelhos me vacilam, e de magreza vai mirrando a minha carne. 25 Tornei-me para eles objeto de opróbrio; quando me vêem, meneiam a cabeça. 26 Socorre, Senhor, Deus meu! Salva-me segundo a tua misericórdia. 27 Para que saibam vir isso das tuas mãos; que tu, Senhor, o fizeste. 28 Amaldiçoem eles, mas tu, abençoa; sejam confundidos os que contra mim se levantam; alegre-se, porém, o teu servo. 29 Cubram-se de ignomínia os meus adversários, e a sua própria confusão os envolva como uma túnica. 30 Muitas graças darei ao Senhor com os meus lábios; louvá-lo-ei no meio da multidão; 31 porque ele se põe à direita do pobre, para o livrar dos que lhe julgam a alma.
Introdução: O Saltério trata de uma diversidade de temas bastante grande, situações extremas que as pessoas vivem e que abalam a espiritualidade humana. Desta forma fica difícil compreender questões difíceis “de vida e de morte” sem envolvimento emocional. O Salmo em estudo é um dos mais complexos que existem na Bíblia, pois, se utiliza de uma linguagem judiciária, muito forte, como a que os advogados utilizam nos grandes julgamentos mundo afora. Seu teor amedrontador de imprecações de maldições exige um estudo bem fundamentado exegeticamente para se discernir as sentenças de cada personagem. A cosmovisão do mundo antigo também é necessária para se compreender que o que estava em questão era uma acusação provavelmente injusta de um crime de feitiçaria. Algo que levou muitas pessoas a morte nas regiões judaico-cristãs em praticamente toda a história destas tradições. Somente com o advento da modernidade estes crimes de bruxaria deixam a pauta nos tribunais, ao menos no mundo ocidental.

Primeira Parte (1-5): O salmista está absolutamente indignado, ele é acusado injustamente: “Eles me acusam, embora eu os ame e tenha orado por eles.” (v.4) NTLH. Ao enfretar esta siatuação tão dolorosa o orante encontra alento na oração e na invocação do nome do Senhor. É justamente em Deus que devemos nos confortar e buscar auxílio em situações semelhantes, abrindo nosso coração a Ele, compartilhando em oração nossos sentimentos de ira e confiando em Sua justiça. O evangelho nos encoraja neste sentido, “Portanto, não tenham medo de ninguém. Tudo o que está coberto vai ser descoberto; e tudo o que está escondido será conhecido.” (Mt 10.26) NTLH.

 

Segunda Parte (6-19): A maldição e o ódio desferido contra o Salmista o fez temer a morte como um criminoso, e que seus familiares e descendentes tivessem que amargar esta desonrada e injusta herança. Neste contexto ele deseja que toda esta carga de maldades se reverta sobre seus acusadores. O ensinamento de Jesus Cristo nos ensina que não sofremos sozinhos, mas que suportamos agressões pautados no ensino do evangelho, “Mas eu lhes digo: não se vinguem dos que fazem mal a vocês. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também.” (Mt.5.39) NTLH.

 

Terceira Parte (20-27): A confiança em Deus não significa que as coisas acontecerão como suplicamos. O salmista se sentia sem qualquer força, e suplicou que Deus mesmo lhe tirasse a vida, não dando este gosto aos seus acusadores. O desespero e a aflição extrema fazem parte de nossos conflitos e dilemas existenciais, mas quando confiamos em Deus nossa tragédia se converte em mais uma experiência que passamos com Ele. “Amaldiçoem eles, mas tu, abençoa” (Sl 109. 28) ARA. A despeito de como as coisas acontecem no final das contas o melhor é confiar na providência divina e em Sua salvação. 

 

Quarta Parte (28-31): Após todo este tormento o salmista se entrega confiante nas mãos de Deus, sabedor de não estar sozinho, mas com Cristo, que partilha nossas misérias e aflições. O conhecimento da solidariedade de Jesus é o melhor remédio na aflição, “Ó terra, não cubras o meu sangue, e não haja lugar em que se oculte o meu clamor! Já agora sabei que a minha testemunha está no céu, e, nas alturas, quem advoga a minha causa.” (Jó 16. 18-19) ARA. Somente quando Deus toma as coisas nas mãos é que a rede, que a mentira e o ódio humano teceram, pode ser rasgada, podendo a maldição converter-se em bênção, o medo dos homens em alegria em Deus, que por fim ajuda a verdade e a justiça a chegarem à vitória.” (WEISER, p.535).

REFERÊNCIAS:

SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. (2005; 2005). Bíblia de Estudo Nova Tradução na Linguagem de Hoje. (NTLH)

SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. (1999; 2005). Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada. (ARA)

CALVINO, JOÃO. SALMOS. Volume 4. São Paulo: Fiel, 2009.

WEISER, ARTUR. OS SALMOS. Grande Comentário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1994.

SCHÖKEL - CARNITI. SALMOS II (Salmos 73-150). Grande Comentário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1998.

Reverendo Maurício Frizzas Pinto

Salmo 107 - Deus salva de todas as tribulações

postado em 14 de abr de 2012 10:28 por IPB Parque Iguaçu   [ 15 de abr de 2012 11:48 atualizado‎(s)‎ ]

SALMO 107

Deus salva de todas as tribulações

1 Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, e a sua misericórdia dura para sempre.

2 Digam-no os remidos do Senhor, os que ele resgatou da mão do inimigo

3 e congregou de entre as terras, do Oriente e do Ocidente, do Norte e do mar.

4 Andaram errantes pelo deserto, por ermos caminhos, sem achar cidade em que habitassem.

5 Famintos e sedentos, desfalecia neles a alma.

6 Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.

7 Conduziu-os pelo caminho direito, para que fossem à cidade em que habitassem.

8 Rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!

9 Pois dessedentou a alma sequiosa e fartou de bens a alma faminta.

10 Os que se assentaram nas trevas e nas sombras da morte, presos em aflição e em ferros,

11 por se terem rebelado contra a palavra de Deus e haverem desprezado o conselho do Altíssimo,

12 de modo que lhes abateu com trabalhos o coração — caíram, e não houve quem os socorresse.

13 Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.

14 Tirou-os das trevas e das sombras da morte e lhes despedaçou as cadeias.

15 Rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!

16 Pois arrombou as portas de bronze e quebrou as trancas de ferro.

17 Os estultos,  por causa do seu caminho de transgressão e por causa das suas iniqüidades, serão afligidos.

18 A sua alma aborreceu toda sorte de comida, e chegaram às portas da morte.

19 Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.

20 Enviou-lhes a sua palavra,  e os sarou, e os livrou do que lhes era mortal.

21 Rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!

22 Ofereçam sacrifícios de ações de graças e proclamem com júbilo as suas obras!

23 Os que, tomando navios, descem aos mares, os que fazem tráfico na imensidade das águas,

24 esses vêem as obras do Senhor e as suas maravilhas nas profundezas do abismo.

25 Pois ele falou e fez levantar o vento tempestuoso, que elevou as ondas do mar.

26 Subiram até aos céus, desceram até aos abismos; no meio destas angústias, desfalecia-lhes a alma.

27 Andaram, e cambalearam como ébrios, e perderam todo tino.

28 Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.

29 Fez cessar a tormenta, e as ondas se acalmaram.

30 Então, se alegraram com a bonança; e, assim, os levou ao desejado porto.

31 Rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!

32 Exaltem-no também na assembléia do povo e o glorifiquem no conselho dos anciãos.

33 Ele converteu rios em desertos e mananciais, em terra seca;

34 terra frutífera, em deserto salgado, por causa da maldade dos seus habitantes.

35 Converteu o deserto em lençóis de água e a terra seca, em mananciais.

36 Estabeleceu aí os famintos, os quais edificaram uma cidade em que habitassem.

37 Semearam campos, e plantaram vinhas, e tiveram fartas colheitas.

38 Ele os abençoou, de sorte que se multiplicaram muito; e o gado deles não diminuiu.

39 Mas tornaram a reduzir-se e foram humilhados pela opressão, pela adversidade e pelo sofrimento.

40 Lança ele o desprezo sobre os príncipes e os faz andar errantes, onde não há caminho.

41 Mas levanta da opressão o necessitado, para um alto retiro, e lhe prospera famílias como rebanhos.

42 Os retos vêem isso e se alegram, mas o ímpio por toda parte fecha a boca.

43 Quem é sábio atente para essas coisas e considere as misericórdias do Senhor.

 

Introdução: A comunidade daqueles que devotavam sua fé no Senhor Deus, afluía em determinados períodos festivos do ano para o templo, ou algum outro lugar sagrado, onde além de sacrifícios cerimoniais a fé era professada através de declarações conduzidas por sacerdotes e reafirmadas pelo povo. Em tais situações era freqüente a música e o êxtase festivo dos celebrantes. A alegria decorria do cumprimento de leis cerimoniais, da manifestação efusiva de louvores e ações de graças por se identificarem como um povo - uma nação reunida em torno da fé no Deus de seus antepassados, e na esperança do futuro que advém da força e empolgação decorrente do grande ajuntamento. Este salmo relata um momento de alegria contagiante de um povo em celebração litúrgica.

 

Primeira Parte (1-9): Inicialmente o salmista exalta o amor de Deus sobre sua vida e sobre seus irmãos, convidando a “Igreja Israelita” – expressão empregada por João Calvino, a adorar e a relembrar dos atos salvadores em favor de seus antepassados e deles próprios. O primeiro sentimento a motivar ao Senhor a mover-se em favor das pessoas oprimidas é o amor, “porque a sua benignidade é para sempre” v.1, aceita também a seguinte tradução para nosso idioma “porque seu amor é para sempre”.

A redenção que Deus opera em favor de seu povo abre os temas que fazem parte do escopo deste texto. O senhor os liberta da mão do opressor, e os conduz através de sucessivos e miraculosos livramentos, até que reunidos no lugar desejado, aqui identificado como “A Cidade Habitada”, para precisamente neste lugar onde se congregam pudessem agradecer. Esta peregrinação não é simplesmente geográfica, mas se trata também de uma Peregrinação espiritual que conduz o homem da morte para a vida. Note-se o desespero em que se encontravam “a sua alma neles desfalecia” v.5, mas através do poder divino que sopra o espírito vivificante sobre seus filhos a comunidade de fé renova “fartou a alma sedenta e encheu de bens a alma faminta” v.9.

 

Segunda Parte (10-22): Existia no coração dos primeiros ouvintes deste salmo sentimentos que permeiam nossos corações também; angustias e tribulações, decorrentes de nossas falhas, pecados e escolhas erradas, bem como de injustiças que sofremos e de situações opressoras que não conseguimos escapar sozinhos, mas que Deus pela sua mão forte é capaz de nos libertar, “Tirou-os das trevas e sombra da morte e quebrou as suas prisões” v.14.  

A falta de discernimento, a ausência de sabedoria, a inobservância dos caminhos de Deus, são as maiores causas da enfermidade humana. Certamente que a expressão “A sua alma aborreceu toda comida, e chegaram até às portas da mortev.18 não se refere a alimento que sustém o corpo, mas sim a comunhão com o Senhor Deus, criador de todas as pessoas, e que as mantém plenamente quando vivem de acordo com seus preceitos. No Evangelho de Mateus encontramos um relato onde Jesus Cristo venceu uma grande provação no deserto, quando foi tentado pelo diabo. A proposta do inimigo era para que Jesus transformasse pedras em pães, e assim saciasse a sua fome. Cristo triunfou por não ceder ao apelo de sua carne que ansiava por alimentos, bem como em não dar ouvidos ao tentador. Neste momento o verdadeiro pão que alimenta a alma foi evocado, Jesus disse “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.” Mt 4.4.   

 

Terceira Parte (23-32): Explora-se aqui uma ilustração bastante dramática, narra-se o desespero do habilidoso comandante de embarcação diante da fúria do mar. Se o Senhor não acalmasse o mar o marinheiro pereceria, “Andam e cambaleiam como ébrios, e esvai-se-lhes toda a sua sabedoria. Então, clamam ao Senhor na sua tribulação, e ele os livra das suas angústias. Faz cessar a tormenta, e acalmam-se as ondas. Então, se alegram com a bonança; e ele, assim, os leva ao porto desejado.” v.27-30 Mesmo diante de todo o conhecimento, cientificismo e habilidade, o ser humano continua a depender totalmente de Deus para continuar sua jornada e levar ao fim as suas empreitadas. Deduzimos deste pensamento que devemos reconhecer com toda a humildade nossa humanidade e nossas limitações, mas por outro lado devotarmos a nossa confiança no Senhor que rege e governa as nossas vidas e também todo o cosmo, regendo as forças da natureza e nos preservando de todo o mal.

 

Conclusão: (33-43): O Deus providente que governa todas as circunstâncias é descrito aqui como aquele que é capaz de transformar um grande rio em um deserto árido, e uma terra seca numa ceara fértil. A retidão e a fidelidade para com os mandamentos do Senhor são os fatores que levam a mudança de situação. Os ímpios são amaldiçoados e não prosperam. Mas sobre os justos a bênção repousa. O destino de todas as pessoas repousa nas mãos do Senhor, “Os retos vêem isto e alegram-se, mas todos os iníquos fecham a boca” v.42. Esta temática e recorrente nos Salmos, a mudança das circunstâncias através do favor divino, “Quem é como o Senhor, nosso Deus... que do pó levanta o pequeno e, do monturo, ergue o necessitado, para o fazer assentar com os príncipes, sim, com os príncipes do seu povo” Sl 113. 5a; 7-8.

 

OREMOS:

Senhor Deus, nosso Pai de amor e infindas misericórdias. Tributamos-te a honra, glória, poder e majestade. Reconhecemos, assim como nossos antepassados já haviam reconhecido que tu és Senhor sobre todo o universo. Rendemo-nos ao teu senhorio e governo. Suplicamos-te que nos aceites em tua presença e que teu favor seja estendido a nós. Sabemos que o sacrifício de teu filho amado, Jesus Cristo na cruz do calvário nos libertou de todo o pecado e que agora em somos livres de toda escravidão. Somos testemunhas que a tua Palavra tem aclarado nosso entendimento e agora andamos por fé em teu nome. Guarda-nos de todo perigo e mal, estende teu favor sobre teu povo.   

REFERÊNCIAS:

Sociedade Bíblica do Brasil. (1999; 2005). Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada (Sl 107:43). Sociedade Bíblica do Brasil.

CALVINO, JOÃO. SALMOS. Volume 4. São Paulo: Fiel, 2009.

WEISER, ARTUR. OS SALMOS. Grande Comentário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1994.


Reverendo Maurício Frizzas Pinto

1-3 of 3

Comments